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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Igreja- coluna e firmeza da verdade (I Tm 3:15)



“Coluna” é a tradução de stulos, que ocorre apenas quatro vezes no NT e indica algo que sustenta e dá firmeza. Lemos de Tiago, Cefas e João, que “eram considerados como as colunas” da igreja local em Jerusalém.

Em Ap 3:12 temos uma promessa ao vencedor: ele será feito uma coluna do templo de Deus. A palavra também ocorre em Ap 10:1 num sentido figurado. A segunda palavra (“firmeza”) é a tradução de hedraioma, um substantivo que encontramos somente aqui no NT, mas cujo adjetivo cognato (hedraios) é usado três vezes.

Em I Co 7:37 lemos de alguém que “está firme (hedraios) no seu coração”, o que é explicado no mesmo versículo: ele tem “poder sobre a sua própria vontade”.

Em I Co 15:58 somos exortados a permanecermos “firmes (hedraios) e constantes” na obra do Senhor, semelhante ao que lemos em Cl 1:23, onde “permanecer firme” é comparado a “não vos moverdes da esperança do Evangelho que tendes ouvido”.

Percebemos, portanto, que o significado das duas palavras é bem parecido — falam daquilo que sustenta e dá firmeza. A diferença entre elas talvez esteja em que “coluna” fala mais de sustentação, e “firmeza” de proteção, defesa. Ambas as palavras, porém, destacam a responsabilidade que as igrejas locais têm em relação à verdade.

Obviamente entendemos que a palavra “verdade”, neste contexto, deve ser entendida de forma objetiva, como representando tudo aquilo que Deus nos revelou na Sua Palavra (a verdade escrita) e através do Seu amado Filho (a verdade personificada). Não é “verdade” em contraste com “mentira” (tudo aquilo que é verdadeiro), mas representa aquele conjunto de verdades que estão contidas na Palavra de Deus, e que foram manifestadas na vida do Senhor Jesus.

A interpretação

Unindo todos estes detalhes, vêm à nossa mente a figura de uma casa sendo sustentada por colunas sólidas e fortes e protegida por um baluarte igualmente sólido e forte. A “casa” nesta figura é a verdade e a igreja local é (ao mesmo tempo) coluna e baluarte desta casa. Em outras palavras, Deus está afirmando que a igreja local é aquilo que sustenta e protege a revelação de Deus aos homens hoje! Uma afirmação, no mínimo, surpreendente!

Não é a única vez nas Escrituras, porém, que temos esta idéia apresentada. Deus disse que Israel, no passado, tinha esta mesma responsabilidade em relação à Palavra escrita de Deus. Lemos em Rm 3:2 que “as palavras de Deus lhe foram confiadas”.

Eles é que foram os instrumentos humanos escolhidos por Deus para preservarem e defenderem a verdade revelada nas Escrituras do VT. E, com notável zelo, Israel foi fiel em preservar a Palavra escrita. Falharam em colocá-la em prática, mas preservaram-na até os nossos dias.

Deus também aplicou figuras bem parecidas a Jeremias quando primeiro o chamou para servi-Lo. O Senhor lhe enviou a pregar a verdade, dizendo: “… dize-lhes tudo quanto Eu te mandar”, afirmando que Jeremias seria como “coluna de ferro, e … muros de bronze”, e disse: “… pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti; porque Eu sou contigo, diz o Senhor, para te livrar” (Jr 1:17-19).

Como coluna e como muro, Jeremias tinha a responsabilidade de apresentar fielmente tudo que o Senhor lhe mandasse falar — toda a verdade. Jeremias iria sustentar e defender a verdade enquanto o Senhor sustentaria e defenderia o Seu servo.

Assim como foi com Israel coletivamente, e com Jeremias individualmente, assim é com cada igreja local hoje. Os instrumentos escolhidos por Deus para sustentar e defender a Sua verdade no mundo hoje são as igrejas locais, e é com isto que devemos nos ocupar.

Não estamos aqui no mundo para efetuar reformas sociais ou políticas, para nos divertir, para promover o desenvolvimento intelectual dos homens, etc. É claro que nos comovemos com a pobreza e o sofrimento ao nosso redor, e devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para aliviar este sofrimento, ajudando os necessitados.

Mas nunca podemos permitir que estas coisas (legítimas e boas) cresçam a tal ponto de tornar-se a nossa principal preocupação. Nossa responsabilidade principal, nosso alvo, é sustentarmos e defendermos a verdade. É para isto que estamos aqui.

A aplicação

Tendo interpretado a figura, resta-nos ainda aplicá-la duma forma mais prática. Se afirmarmos que é a responsabilidade de cada igreja local sustentar e defender a verdade, o que isto quer dizer em termos práticos? O que faremos para sustentar e defender a verdade?

Lembrando que a palavra “verdade”, aqui, é usada de forma objetiva, percebemos que nossa preocupação deve ser bem semelhante à de Jeremias. Diante de um povo rebelde, que não tem interesse naquilo que Deus fala, nossa responsabilidade é nos colocarmos do lado da Palavra de Deus, sendo conhecidos como uma igreja que conhece, pratica e defende o que está registrado ali. Devemos ouvir a exortação de Salomão:

“Compra a verdade, e não a vendas” (Pv 23:23).

O primeiro passo, obviamente, é conhecer a verdade. Não podemos sustentar ou defender aquilo que não conhecemos. Daí a necessidade de darmos prioridade ao estudo da Palavra de Deus, seja nas nossas vidas individuais, seja como igreja.

Há riquezas profundas ali, e todo o tempo que gastarmos no estudo da Palavra de Deus ainda será pouco em comparação com as riquezas que ela possui. Todo o dinheiro que investirmos nisto será dinheiro bem-aplicado (ajudando um irmão que vem de longe nos ensinar, ou promovendo uma conferência ou reuniões especiais, etc.).

Além de conhecermos a verdade, precisamos praticá-la. Quantos escândalos já temos visto devido a alguns pregarem uma coisa e viverem outra. Por outro lado, quão eficaz é o testemunho duma igreja que não somente prega a palavra, mas que pratica aquilo que prega!

Somos exortados a sermos “exemplo dos fiéis” (I Tm 4:12) — precisamos praticar a verdade. Devemos lembrar que somos uma “carta … conhecida e lida por todos os homens” (II Co 3:2). Estamos sendo observados — o que será que nossos vizinhos estão lendo nas nossas vidas? Será que é aquilo que autentica e comprova a verdade? Ou será que estamos contradizendo aquilo que pregamos? Conhecer, praticar e pregar! Jamais podemos ter vergonha ou receio de apresentar o que Deus apresenta, ou de defender o que Ele defende. Algumas doutrinas da Palavra de Deus não são aceitas pelo mundo hoje, e podemos ser tentados a deixar estas coisas de lado para não ofender ninguém.

Não vamos negá-las — só não vamos mencioná-las! Mas agir assim é falhar na nossa missão de defender a verdade. Não podemos escolher partes da verdade para serem defendidas, mas devemos lembrar-nos das palavras do Senhor a Jeremias: “… dize-lhes tudo quanto Eu te mandar”.

Compra a verdade…

Uma igreja local é coluna e firmeza da verdade. Isto nos lembra da nossa solene responsabilidade em relação às verdades apresentadas na Palavra de Deus. Nossa atitude deve ser intransigente. “Compra a verdade, e não a vendas” (Pv 23:23).

Irmãos, nada de “barganhar”, nada de ocultar, nada de termos vergonha. Pelo contrário, vamos reconhecer a preciosidade da verdade contida na Palavra de Deus e revelada na vida do Filho de Deus. Que estejamos prontos a pagar qualquer preço para ter esta verdade em nossas mãos e em nossos corações, e que sejamos conhecidos como uma igreja que conhece, pratica e prega a verdade.

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